Belo e incerto

terça, 10/jul/2007 às 19:20 por Vanderlei Martinelli

"A vida não se resume em festivais." Esta frase marcante é de Geraldo Vandré, num contexto muito importante. E eu digo que a vida tampouco se resume em blogs, livros, escritos, sejam como for. A arte é muito mais. A vida de uma pessoa é muito, muito mais. Ao menos pra quem vive de verdade. Vive com tesão, paixão e amor. Vive, enfim, com arte.

Tenho aprendido que muitas coisas na vida têm seu tempo certo. Tempo de início, tempo de existir e tempo também de terminar. Enquanto for bom, enquanto for prazeroso, enquanto fizer bem, que exista. Se este tempo de existir for a eternidade, muito bom (minha eterna ânsia de infinito). Se for apenas por algum tempo, também é bom. Que seja possível respeitar e entender o que é bom enquanto é. E desapegar disso quando não for mais. Levando sempre consigo, é claro, a gratidão por ter sido.

Escrever por aqui sempre foi bom. Mas, como vocês devem ter percebido, ultimamente as postagens estão cada vez mais raras (espero que em pelo menos dois sentidos). Não foi proposital. Apenas tem feito, nos últimos tempos, cada vez menos sentido escrever por aqui. Não porque eu esteja sem querer escrever, sem inspiração para escrever ou sem ter o que escrever, muito pelo contrário. Simplesmente o blog, que passou por tantas fases, agora chegou mesmo ao fim. Cumpriu sua existência. E o motivo e o objetivo da sua existência, sejam eles quais forem. E nele já não cabem as coisas que quero escrever.

Não posso dizer que este blog seja um roteiro dos meus caminhos nesses dois anos. A vida seria sem graça e pequena se coubesse num blog. (Aliás, a vida mesmo acontece muito além das letras. Antes, bem dentro dos sentimentos e das ações. O que escrevemos é sempre apenas reflexo impreciso da vida. A vida é mais, muito mais.) Mas há nele alguns fragmentos desse mapa desconexo, muitas vezes e aparentemente sem nexo mesmo. (É preciso ampliar a visão sobre tudo... E enxergar além do óbvio. Eu insisto.)

Há um texto de Montaigne que gosto muito: "Meu ofício, minha arte, é viver. Quem me censura por falar de mim, de minha vida e de meus próprios sentimentos, que vá proibir um arquiteto de se referir às suas próprias construções. Eu me mostro por inteiro, como peça anatômica, cujas veias, músculos, tendões, são visíveis em seus lugares. Mas as pulsações e o que se passa dentro de mim, estes são eu mesmo. É sobre eles que falo, sobre minha essência."

Mesmo com este texto em mente, é preciso transcendê-lo porque, como já disse, viver é muito mais que escrever. Sou também muito mais do que escrevo. Mostro-me: coração, músculos, veias, emoções, tendões... Alma e ossos. Mas não importa quão explícito ou profundo seja o que escrevo, é apenas um arranhão no inteiro que sou, do que acredito ser, do que quero ser, do que ainda não sou e do que serei. Escrever também é tentativa de se compreender e aprender, olhando para si mesmo, a ser mais. Daí, talvez, a razão de escrever. Apenas quem me ama me sabe.

Tenho aprendido também que algumas coisas são mesmo privadas e muito preciosas. Não são para todos. São para raros. Os raros que amamos, os raros que nos amam. Muito além do que é escrito, muito além do que parece ser. Mas sim, o que é vivido, o que é feito e o que, de verdade, é. Os raros se atraem.

E a todos meu muito obrigado. Se este blog lhe fez pensar ou se emocionar ao menos uma vez, valeu a pena tê-lo escrito. O blog continuará no ar por razões "históricas". Quem sabe ainda não se descubram coisas nele? Há sempre o que ler e reler. Rever conceitos, ver novos ângulos... Reavaliar tudo.

E agora? Bem, esta frase dum recente artigo meu talvez dê um indício do que vem pela frente: "Como quem costuma ler o que escrevo deve saber: uso ponto final até onde não se costuma usar. Uma frase minha muitas vezes não termina no ponto final: reencarna ou complementa-se na outra. Meu ponto final gosta de se fazer de vírgula. Não vejo o fim como um final, mas o começo de outra coisa, na qual a existência da anterior é que permitiu a nova vir a existir."

Enfim, como diz Fernando Anitelli, o fim é belo e incerto, depende de como você vê. Só estou começando. Meu ofício e minha arte, muito além de escrever, é viver. O verdadeiro e mágico teatro é a vida. Quem nos tornamos nela, através dela. E viver é amar. De forma incerta e imperfeita, mas bela e de verdade. A essência do que é alicerce. Honesto, cândido e forte. E a surpresa, o desafio, a novidade, o aprendizado e o encanto do que ainda será. E, de verdade, já tem sido. Grata e belamente. Construir com a própria vida o que é mesmo belo e verdadeiro. Isto não tem fim.

Comentários

Vanessa Denardi escreveu em 6/1/2011 às 12:45:

Olá, tudo bem? Meu nome é Vanessa Denardi, sou da Accesso - assessoria de comunicação da Tok&Stok. Vi seu blog e gostei muito. Aliás, você já publicou algumas notícias de meu cliente. Por isso, gostaria de incluí-lo em nosso mailing. Tem como passar seu email e telefone? Abraços e obrigada, Vanessa Denardi (vanessa@accesso.com.br) 11 - 3021-2825


Vanessa Denardi escreveu em 6/1/2011 às 12:45:

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Vanessa Denardi escreveu em 6/1/2011 às 12:44:

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Vanessa Denardi escreveu em 6/1/2011 às 12:44:

Olá, tudo bem? Meu nome é Vanessa Denardi, sou da Accesso - assessoria de comunicação da Tok&Stok. Vi seu blog e gostei muito. Aliás, você já publicou algumas notícias de meu cliente. Por isso, gostaria de incluí-lo em nosso mailing. Tem como passar seu email e telefone? Abraços e obrigada, Vanessa Denardi (vanessa@accesso.com.br) 11 - 3021-2825


joyce pio escreveu em 21/6/2008 às 16:03:

adorei passar por aqui...
sei que nada é por acaso, palavras que tocaram profundamente o meu coração!

enfim, 'o fim é incerto, depende de como você vê...'

espero, de coração, que tu possas ver da melhor maneira...

beiijo grande!

;]


Adriana escreveu em 24/4/2008 às 09:51:

Vim aqui por acaso, li muitas coisas, pena que acabou o seu blog. Amo Teatro Mágico, e desejo que vc "Bilhe sempre mais forte"

Saudações Lancinantes, da poetisa

visite meu blog...serás bem vindo, pois raro és !


Thalis Valle escreveu em 11/2/2008 às 16:46:

Vanderlei,

Quero falar contigo. Seus e-mails estão voltando.
Se for possível, me retorne para o e-mail que citei aqui.

Abração


Ana Clara escreveu em 4/8/2007 às 00:12:

Uma grande perda o alecrim ficar por aqui... mas sei exatamente o que você quer dizer tbm não tenho mais tanta vontade de escrever... Espero que seus novos caminhos na arte de viver sejam tão bonitos e iluminados como suas palavras nesse mundo virtual...
Parabéns e boa sorte!


Donaella escreveu em 20/7/2007 às 18:00:

Pena mesmo, mas a vida incita mudança e que suas construções, sejam elas onde forem, sejam essa demosntração de maturidade verborragica epidermica!
Bijos e até um dia
Adoro te ler
=]


Júnior escreveu em 16/7/2007 às 12:52:

Triste ter conhecido o blog ao seu final. Porém já que seu ponto final disfarça-se de vírgula, seguirei o meu passeio pelos seus arquivos desejando que este ponto final não demore a ser fazer vírgula. Um abraço e amanheça brilhando mais forte!


Josse escreveu em 13/7/2007 às 14:45:

Se contasse à você todas as vezes em que suas palavras foram minha única companhia, conselho, esperança, espelho, janela, horizonte, luz, alma, música...
Porque temos uma vida fora disso, mas coisas bacanas como as que escreve tão lindamente são raras de se ter além mar. Ah...estou perdendo um amigo precioso, snif, snif, snif. Só posso agradecer por se dar assim de maneira tão linda às pessoas. Sua capacidade, inteligência, sensibilidade, carinho, expostas neste blog marcaram um momento lindo da minha vida. Obrigada por tão importante companhia. Obrigada pelo tempo doado a nós, conhecidos ou não. Continue de alguma forma em algum novo lugar, visto que , " seu ponto final gosta de se fazer de vírgula". Avise-me se tiver novos caminhos tão lindos quanto este. És raro, deveras.

Bjs da amiga Josse


Olhos de Mel escreveu em 12/7/2007 às 18:06:

Oie Vanderlei!

Pena que tenha chegado por aqui, no final. Mas valeu por ter conhecido, lido e pensado em muitas coisas por aqui. Mas a vida é assim. Quem sabe daqui mais uns tempos você não volte, com mais entusiasmo ainda? O importante é ser feliz. Apenas cuide-se e não esqueça dos amigos que fez por aqui. Quando voltar, (se assim for), nos comunique.
Fique com Deus!
Bjs


Bia escreveu em 11/7/2007 às 13:17:

Talvez o fim seja tão belo e incerto porque na verdade, 'finais' não existam realmente...Talvez existam só as mudanças de estado e de estação, a constante transformação e a vontade de continuar.
E a vida está tão além de todas as nossas limitadas formas de expressão, né?
Parece que o aspecto da vida onde as coisas realmente acontecem e importam, é justamente aquele que não conseguimos interpretar.
Mas nada de impede de ficarmos tentando! rs O Alecrim fez isso lindamente.
Aguardo ansiosa pelo novo espaço.

beijos, poeta.


Secreto escreveu em 11/7/2007 às 01:13:

Logo agora q descobri seu blog vc estah saindo, q pena !!!! Mas fico feliz de saber q ele ainda continuara no ar, pois como vc mesmo disse ha muitas coisas pra ler e reler, eu tenho certeza disso.
Felicidades mil pra vc !!!!


Lu escreveu em 11/7/2007 às 00:30:

Grande amigo e poeta Van!
Sou muito grata por este blog, através dele conquistei uma amizade que também não tem ponto final, que me orgulha e me enche de carinho!
Van: um menino e irmão cheio de alegria, vida, humildade e amor!!
Sucesso nos novos projetos!!
Beijos!!!

Enforque-se na corda da liberdade!


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